Hoje acordei com uma sensação muito ruim. Não sei ao certo, mas sinto o gosto amargo do fracasso. Sim, é muito difícil conviver com a derrota. Para tentar amenizar o estado de dormência, para forçar alguns passos de forma a continuar em frente, me apego à idéia de que fiz todo o possível e, até mesmo, o impossível.
Mas a quem quero enganar? A mim mesma? Não basta ter vivido com os olhos vendados, ignorando minha essência por tanto tempo?
Essa idéia de que “eu fiz tudo que podia” ou “não era pra ser”, para mim, é covarde, pura vaidade.
A verdade é que errei, errei feio mesmo. Fantasiei tanto, interpretei tudo ao meu favor, tudo conforme minha conveniência sem me dar conta de que estava a me atirar num abismo que eu mesma criei. Aliás, eu até tinha idéia de que fantasiava um pouco as coisas, mas era tão bom, como um trago de rum após um dia agitado de trabalho que eu não conseguia, ou melhor, não me permitia parar de sonhar.
Mas, como nenhum ser humano vive somente de sonhos, hoje encarei a realidade e vi que as coisas são bem diferentes de tudo o aquilo que idealizei. Ah, triste ilusão, pobre coração. E adaptando melhor a história: “colombina apaixonada chora pelo amor do pierrot”.
Amor esse que nunca existiu senão nos seus sonhos, nos pensamentos e nos “planos” arquitetados durante todas as noites desde que ousei me entregar a ti.
Daí a sensação de fracasso, isso porque sonhar também requer dedicação. Toda a noite, antes de dormir, traçava planos, sempre atenta aos mínimos detalhes. Tudo tinha que estar perfeito. Horas de sono perdidas, cujo produto final foi confeccionado apenas com ilusão.
Assim, após a tempestade de realidade, a matéria prima utilizada no meu castelo – ilusão – não resistiu à enxurrada, e tudo foi tomado por um grande mar de possibilidades perdidas, palavras omitidas e gestos oprimidos.
Enfim, hoje estou aqui, ainda cambaleante, me recuperando da “chocalhada”, uma onda gigante, com flashes de realidade me atingiu e eu, após agonizar no mar de expectativas frustradas e sonhos destruídos, tive toda minha força sugada. Saí de lá despida, sem alma, sem direção.
Após a enchente, tudo secou. Antes tempestade, agora, sertão. Solo fértil não há mais. Portanto, acredito que nenhuma nova semente de ilusão, por ora, se desenvolva.
E como diz Marisa Monte: “desilusão, desilusão, danço eu na dança da solidão...”.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
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